Igreja Batista Central de Fortaleza


Amar a Deus, amar uns aos outros e proclamar Jesus


Páscoa

por Aline Cavalcante

Páscoa

Uma singela refeição, composta de um cordeiro, pães sem fermento (ázimos) e ervas amargas, traz à memória de cada família judaica o advento da Páscoa, palavra derivada do hebraico peshad, que quer dizer “passagem” (Êxodo 12:1-28).

Centenas de anos atrás o povo judeu esteve 400 anos sob escravidão egípcia, até que Moisés foi levantado como libertador tendo que enfrentar a fúria de Faraó. Dentre os muitos confrontos, Deus ordena a morte dos primogênitos porém, orienta ao judeus que marquem os batentes da porta da casa com o sangue do cordeiro sacrificado naquela ocasião, e o Anjo Libertador passaria por cima (peshad=páscoa) das casas em cujas portas houvesse a tal marcação.

Jesus, o Cordeiro de Deus, pouco antes de entregar a própria vida na cruz, celebrou esse evento numa refeição familiar que incluiu seus apóstolos, formadores do núcleo e da matriz da comunidade dos que seriam igualmente libertos de suas escravidões físicas, emocionais e espirituais através da fé no sacrifício do Cristo (Lucas 22:7 a 20).

A Páscoa, assim como o Natal, há muito perdeu o seu sentido espiritual para o oportunismo comercial que enfatiza o consumo de ovos de chocolate e destacam protagonistas como Noel e Coelho, ícones indutores das compras, do crediário e oportunidade de “bebemorar”.

As religiões cristãs em vão tentam revitalizar o sentido espiritual, mas esbarram no embrulho ritualístico que esconde o poder restaurador do Evangelho e a pessoa do Cristo pouco reconhecido ou seguido nos dias da chamada Paixão. Enquanto boa parte da sociedade transforma prazer e vida em estatísticas de morte e destruição, o verdadeiro espírito da Páscoa revela e rememora a morte do Cristo que trouxe vida por meio da sua ressurreição.

Cristo morre por amor, sacrificado como um cordeiro, mas ressurge ao terceiro dia como esperança de vida que brota da morte e possibilita dar-se um basta no desastre a que a raça humana se sujeitou (João 1:29; 3:16; 8:32 a 36).

Não há nada que comemorar ou “bebemorar” antes, durante, tampouco depois da Páscoa. Mas há que se refletir sobre a possibilidade da fé não ser uma utopia manipulada pela religião e sim, uma experiência pessoal e concreta ao redor da mesa, sob a proteção do Cordeiro enviado de Deus.

Páscoa é acima de tudo um tempo de reflexão sobre como podemos nos ver livres de tudo aquilo que nos impede de sermos livres para viver e amar, segundo o plano e a intenção do Criador. A verdadeira Páscoa é libertação, é vida, é RESSURREIÇÃO (João 8:36).

Armando Bispo

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